Sobre a arte e o outro.
Como primeiro post desse Blog e também como uma maneira de apresentação, minha idéia é falar da arte, do seu princípio de comunicação e da sua relação com o outro.
Para mim, a arte, de uma maneira geral, é exatamente isso, vontade de expressar, pode ser um idéia, um sentimento, uma imagem, qualquer coisa, é a vontade de comunicar, comunicar algo a alguém a um outro.
Pois bem, partindo desse principio, para mim a arte existe por que existe um outro a quem queremos dirigir-nos e expressar alguma coisa, nenhum artista produz nenhum tipo de arte para ele mesmo, na minha opinião isso não existe, o artista quer, necessita comunicar-se, o propósito do artista é comunicar.
Eu acho importante esclarecer essa questão da arte e essa relação com o outro, acho que todo artista deveria discutir isso, principalmente pelo rol que possuem os outros em nossas vidas e na formação da nossa identidade.
Formamos nossa Identidade a partir uma complexa dialética entre nosso mundo interior e nosso mundo exterior, o nosso mundo e o mundo dos outros, eu só posso saber que sou roqueira por exemplo por que existe um pagodeiro, necessito buscar no outro semelhanças e diferenças para poder construir minha identidade.
Ou seja a minha identidade existe por que existe uma identidade de um outro ou outros em quem posso me espelhar e assim buscar diferenças e semelhanças. Seria dizer que, eu não existo se não é a propósito de que existem outros.
A Sociologia nos indica que, para estudar a sociedade e suas diferentes camadas, é necessário ver-la como um corpo humano, com órgãos que existem por separado mais que estão continuamente interatuando entre si, a mesma coisa disse Aristóteles sobre a estética, que toda obra de arte deve ter começo, meio e fim, deve ser vista como partes que estão organizadas entre si porém que no existem uma sem a outra.
Não é apenas essa alusão que podemos fazer entre a sociologia e Aristóteles, também para o filosofo havia uma estreita relação entre o que o homem imitava com a arte, mas principalmente ligado a uma representação moral, os homens realizavam ações que o diferenciavam pela sua maldade ou bondade, já para a sociologia, o homem é um produto do meio social (ou o meio social é um produto do homem, teoria a qual eu me inclino), porém independente da teoria ou corrente social é certo que o homem está sempre em relação com a sociedade, e novamente em dialética com o outro. E que sob esta perspectiva nossas ações provocam reações que serão recebidas de acordo com a natureza dessas ações mas que serão processadas pelo outro de acordo a sua inclinação moral, social, e cultural.
Dessa maneira, podemos deduzir que como a sociedade a arte depende de vários valores para existir, porém principalmente necessita da existência de um outro.
Agora bem, numa sociedade tão complexa com a nossa (pós-moderna ou líquida em términos de bauhman), na qual estamos experimentando tantas mudanças sociais e econômicas, qual o rol da arte moderna ? Como reaciona a arte quando uma das mudanças mais importantes experimentadas pelo ser moderno é justamente o trato com o outro?
Qual o rol do artista no mundo moderno? Que contribuições sociais pode trazer o artista ? Quais os fundamentos éticos experimentados pela arte moderna? Existe ética na arte moderna?
Quais os fundamentos para que a arte seja considerada arte? Existem fundamentos?
Essas perguntas e algumas outras são as que trataremos de discutir nas próximas páginas desse blog. Sempre tratando de uma perspectiva musical e sonora, desde a música popular até a música acadêmica. Vamos tentar traçar um caminho onde possamos discutir essas idéia, comentar-las e se possível fundamentar-las (nem toda arte necessita ser plasmada alguns tipo de artes só existem na imaginação daquele que as inventa).